Ilha santificada

13/05/2009

libertaMarcos tem atuação iluminada, defende três pênaltis, apaga o fogo do caldeirão da Ilha do Retiro e classifica o Palmeiras para as quartas-de-final da Libertadores 09.

Sport 1 (1) x (3) 0 Palmeiras

Para quem não assistiu ou não se lembra das atuações de Marcos na final da Libertadores de 1999 ou na semifinal de 2000, o jogo desta terça-feira diante do Sport pelas oitavas-de-final da edição de 2009 da mesma competição continental preencheu muito bem essa lacuna.

Mais uma noite heroica para o camisa 12 na Libertadores

Mais uma noite heroica para o camisa 12 na Libertadores

Se há dez anos o apelido “São Marcos” foi criado, esta noite ele foi definitivamente abençoado.

Com pelo menos quatro defesas dificílimas — sendo duas delas verdadeiros milagres, em cabeçada e finalização à queima roupa de Paulo Baier –, um dos maiores ídolos da história do Palmeiras — se não o maior — justificou essa alcunha e foi fundamental para a classificação de sua equipe, que atuou demasiadamente na defesa.

Armado no 3-2-4-1 que venceu o Colo-Colo na “Batalha de Santiago” da primeira fase, o Palmeiras, com os mesmos jogadores, mas ao contrário do que aconteceu no Chile, foi acuado durante todos os 90 minutos por um inflamado Sport — que teve seu habitual 3-4-1-2 modificado para um 4-2-2-2, com Igor na lateral-direita, Luciano Henrique no meio-campo e Ciro no ataque.

Nelsinho Baptista finalmente ousou e conseguiu surpreender Vanderlei Luxemburgo. Responsáveis pela criação do time da casa, Luciano Henrique e Paulo Baier descentralizaram Pierre e Souza, matando qualquer possibilidade de contra-ataque. A bola não era roubada no meio-campo — especialidade de Pierre — e o Palmeiras não tinha como ameaçar o gol de Magrão.

Do outro lado, Wilson e Ciro se movimentavam muito, confundiam a marcação do trio de zaga alviverde e criavam chances para quem vinha de trás — a grande maioria delas desperdiçada por Paulo Baier, que, exatamente por isso, deu lugar a Fumagalli no intervalo.

Dutra descia sempre com perigo pela esquerda e o Sport  tomou conta do primeiro tempo.

A segunda etapa começou do mesmo jeito, mas as chances de gol para o tetracampeão pernambucano eram bem mais raras. Justo no momento em que o Sport parecia cansado e não existia mais nehum tipo de organização tática de nenhum dos dois times — era ataque rubro-negro contra defesa alviverde — surgiu o gol do jogo. Aos 37, Luciano Henrique — em sua única jogada individual — driblou Wendel, ultrapassou Mozart, invadiu a área e bateu cruzado. A bola passou por Marcos e Wilson, debaixo do gol, só teve o trabalho de empurrar para as redes.

Aos 48 e com um jogador a menos — Wendel foi expulso aos 45 após entrada por trás em Luciano Henrique –, o Palmeiras sofreu dois grandes sustos. Primeiro, Ciro limpou a marcação de Maurício Ramos e, da risca da grande área, chutou forte. A bola explodiu na trave depois de leve desvio de Marcos. Na cobrança de escanteio, Durval subiu no terceiro andar e testou firme para o chão. A bola pingou e passou muito perto do travessão.

Fim de jogo e decisão nos pênaltis.

Mozart abriu os trabalhos e cobrou muito mal: chute cruzado e fraco para fácil defesa de Magrão.

Mais uma vez chamando a responsabilidade, Marcos defendeu a cobrança de Luciano Henrique.

Marcão e Igor — cada um para um lado — conferiram e empataram o placar em 1 a 1.

A partir daí, só gols palmeirenses e defesas do goleiro capitão. Danilo e Armero marcaram, enquanto Fumagalli e Dutra sucumbiram diante de “São Marcos”.

Final: 3 a 1, classificação do Palmeiras e mais um capítulo heroico na história de um dos maiores goleiros da história do Brasil.

O Palmeiras encara o Nacional de Montevideo nas quartas-de-final. O primeiro jogo, no Palestra Itália, acontece daqui a duas semanas.

Escalações:
Sport:
1 Magrão; 3 Igor, 2 César Lucena, 4 Durval e 6 Dutra; 25 Daniel Paulista (8 Sandro Goiano / 22′ do 1º) e 14 Andrade (22 Moacir / 14′ do 2º); 19 Luciano Henrique e 10 Paulo Baier (7 Fumagalli / intervalo); 17 Wilson e 11 Ciro.
Palmeiras : 12 Marcos; 15 Maurício Ramos, 23 Danilo e 13 Marcão; 5 Pierre e 21 Souza (2 Mozart / 31′ do 2º); 17 Wendel (expulso / 45’do 2º), 10 Cleiton Xavier, 7 Diego Souza (8 Willians / 20′ do 2º) e 6 Armero; 9 Keirrison (20 Ortigoza / 20′ do 2º).

Gol: Wilson (37′ do 2º)

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