Histórico

07/05/2009

cl31Jogaço em Stamford Bridge acaba com golaço antológico de Iniesta aos 48 minutos do segundo tempo.

Chelsea 1 x 1 Barcelona

A ofensividade crônica de uma equipe que pratica o futebol arte a todo o tempo venceu — com muito suor e dramaticidade — um sistema defensivo invejável e — desculpem-me os românticos — exemplar. Enfim, o duelo de antagonistas em Stamford Bridge foi uma batalha para entrar para a história e servir de parâmetro para o que se denomina “jogaço”.

Trajetória para a glória: bola no ângulo e Iniesta na história.

Trajetória para a glória: bola no ângulo e Iniesta na história.

A partida válida pela segunda perna das semifinais da Champions League 08/09 começou equilibrada. O Barcelona — com os desfalques de Puyol (suspenso), Márquez e Henry (machucados) e armado no seu tradicional 4-1-2-3, com Yaya Touré improvisado na zaga central e Iniesta no ataque — trocava passes e procurava brechas na muralha azul, enquanto o Chelsea — de volta ao 4-3-2-1, com Anelka na vaga de Mikel em relação ao jogo de ida –, diferentemente do que aconteceu no Camp Nou, buscava o ataque quando tinha a posse de bola.

Até que, aos nove minutos, Lampard tentou o levantamento para a área, a bola desviou em Touré e sobrou para Essien, que, em um lindo voleio, emendou de esquerda no ângulo direito de Valdés. Golaço, 1 a 0 e vantagem para os Blues.

Naturalmente, a abertura do placar fez com que a posse de bola do Barça aumentasse, o que também elevou o número de contra-ataques do Chelsea.

Em um deles, Malouda desceu pela ponta esquerda e foi derrubado por Daniel Alves na risca da área. O árbitro norueguês Tom Henning marcou falta, mas o Chelsea pediu pênalti — a primeira de seis reclamações de penalidade máxima por parte do time inglês. Na cobrança, Drogba bateu forte, a bola desviou em Busquets e Valdés salvou no reflexo.

A parte final do primeiro tempo apresentou um predomínio da marcação azul sobre a ineficaz troca de passes do Barcelona. Xavi e Iniesta paravam em Essien, enquanto Messi driblava um, mas tinha pelo menos mais dois no seu cangote.

O melhor estava reservado para a segunda etapa.

Na marca de sete minutos, o lance que poderia ter matado o jogo: Anelka recebeu na área e rolou para Drogba. O camisa 11 — completamente livre — limpou a marcação de Piqué — que caiu sentado — e chutou de esquerda. Valdés fechou o ângulo e praticou defesa milagrosa.

O jogo esquentou ainda mais. Messi, aos 20, recebeu pela direita, cortou para o meio e chutou por cima. Um minuto depois, Anelka e Abidal disputaram corrida para alcançar o lançamento longo que veio da defesa. O camisa 39 do Chelsea tropeçou na entrada da área e Tim Henning não teve dúvidas: marcou a falta e expulsou Abidal.

Mesmo com um a mais, Guus Hiddink resolveu reforçar seu quase impenetrável sistema defensivo e substituiu Drogba por Belletti, liberando Lampard para puxar os contra-golpes. 

Com a proximidade do fim da partida, a pressão azul-grená aumentou. Iniesta e Xavi chamavam a responsabilidade e tentavam criar, mas o Chelsea administrava o jogo e não deixava a bola chegar à área de Petr Cech.

Aos 37, a reclamação mais plausível do time da casa: Piqué interceptou com o braço direito estendido uma tentativa de drible por parte de Anelka.

A cinco minutos do fim do tempo regulamentar, Josep Guardiola partiu para o “tudo ou nada” e trocou o volante Busquets pelo atacante Bojan.

A partir daí, era ataque contra defesa.

O zagueiro Piqué se transformou em centroavante e a pressão do Barcelona crescia a cada minuto.

Até que, aos 48, Messi rolou para a meia-lua da área e Iniesta acertou um chute de trivela no ângulo esquerdo de Cech, enlouquecendo a torcida visitante presente em Stamford Bridge e o banco de reservas, que correu em direção ao descamizado herói da classificação para abraçá-lo.

A probabilidade de enfartes na região da Catalunha aumentou substancialmente nos momentos finais dos 5 minutos de acréscimo dados pelo confuso árbitro norueguês.

Ainda deu tempo para Ballack pegar a sobra de um escanteio — que contou até com Cech na grande área — e chutar no corpo de Eto’o. Desta vez o pedido por pênalti foi deseperado e rendeu cartão amarelo para o alemão.

Fim de jogo em Londres e um capítulo memorável escrito na história da Champions League.

A expectativa é de um jogo ainda melhor na decisão do dia 27, em Roma.

O Manchester estará desfalcado de Fletcher — levou o vermelho contra o Arsenal — e o Barcelona — além do expulso Abidal — não poderá contar com Daniel Alves, que levou o terceiro amarelo aos 30 minutos do primeiro tempo, após falta em Ashley Cole.

Escalações:
Chelsea:
1 Cech; 17 Bosingwa, 33 Alex, 26 Terry e 3 Ashley Cole; 5 Essien, 13 Ballack e 8 Lampard; 39 Anelka e 15 Malouda; 11 Drogba (35 Belletti / 27′ do 2º).
Barcelona: 1 Valdés; 20 Daniel Alves, 24 Touré, 3 Piqué e 22 Abidal (expulso / 21′ do 2º); 28 Busquets (11 Bojan / 40′ do 2º); 6 Xavi e 15 Keita; 10 Messi, 8 Iniesta (7 Gudjohnsen / 50′ do 2º) e 9 Eto’o (16 Sylvinho / 51′ do 2º).


Morte súbita

05/05/2009

cl3Contando com um Cristiano Ronaldo solto e inspirado, Manchester United mostra todo o seu poder, despacha o Arsenal impiedosamente em pleno Emirates Stadium e carimba o passaporte para Roma.

Arsenal 1 x 3 Manchester United

Não teve nem graça.

Com dez minutos de jogo em Londres, o Manchester já vencia o Arsenal por 2 a 0 na segunda partida das semifinais da Champions League 08/09 e assegurava vaga na grande final.

Esquerda: casa / Direita: Roma

Esquerda: casa / Direita: Roma

A confirmação das reservas das passagens para Roma começou logo aos sete, quando Anderson lançou Cristiano Ronaldo pela esquerda e o português cruzou para Park conferir depois de falha bizonha do garoto Gibbs.

Aos dez, os torcedores dos Red Devils começaram a reservar horários nos restaurantes da Piazza Navona depois que Ronaldo soltou um pombo sem asa em cobrança de falta pela meia-direita. A bola estufou a rede na altura do canto esquerdo de Almunia, que pulou atrasado.

A partir daí, qualquer esquema ou proposta tática dos treinadores já não valiam quase nada. Tanto o 4-3-2-1 de Arsène Wenger — com Van Persie no lugar de Diaby em relação ao último jogo — quanto o 4-3-2-1 de Sir Alex Ferguson — com Ronaldo de centroavante e Park na vaga de Tevez — se transformaram em uma pressão bagunçada e sem objetividade dos Gunners — que, de novo, sentiram muita falta de Arshavin — contra uma defesa muito bem postada e rápidos contra-ataques por parte do United.

Aos 17, Rooney teve a chance de ampliar ao tentar colocar — com muito estilo — uma bola de fora da área no canto direito de Almunia. O goleiro espanhol dessa vez foi bem e desviou para escanteio.

O restante da etapa inicial foi uma série de investidas cegas do Arsenal muito bem administradas pelo Manchester, que levava certo perigo quando saía para o jogo.

As curiosas estatísticas do primeiro tempo provam isso:

Posse de bola – Arsenal 56 % 44 Manchester United
Chutes (em gol) – Arsenal 3 (1) x (6) 8 Manchester United

No intervalo, Wenger sacou o traumatizado Gibbs para a entrada de Eboué. Improvisado na lateral-esquerda, o marfinense não fez muita diferença.

Na marca dos seis minutos da segunda etapa, Ronaldo quase ampliou após bom passe de Park. O português recebeu pela direita, cortou Djourou e bateu de esquerda. Almunia espalmou.

No entanto, dez minutos depois, o atual melhor do mundo — que neste jogo fez jus ao título e, mais uma vez, provou que não some em partidas decisivas — de fato conferiu mais um dígito ao placar. Depois de uma cobrança de escanteio para o Arsenal afastada pela defesa, Ronaldo iniciou com passe genial e finalizou com chute de primeira um contra-ataque exemplar orquestrado por ele, Park e Rooney. 3 a 0 e aulas de italiano agendadas para as próximas semanas nas proximidades do Old Trafford.

Com o resultado definitivamente sacramentado, Ferguson sacou os pendurados Evra — que fez um partidaço e anulou Walcott — e Rooney para as entradas de Rafael e Berbatov pensando na decisão do dia 27 de maio e no jogo do próximo domingo contra o Manchester City — de fundamental importância para a conquista do tricampeonato inglês.

Ainda deu tempo para o Arsenal descontar e para Ferguson “ganhar” um desfalque para a final. Aos 29, Fletcher derrubou Fabregas na entrada da pequena área e recebeu cartão vermelho. Van Persie cobrou o pênalti no ângulo de seu compatriota Van der Sar e conferiu o gol de honra da equipe londrina.

Os 15 minutos finais ainda apresentaram duas boas chances, uma para cada lado. Aos 40, Fabregas demorou para agir e não chutou bola solta na pequena área. Aos 42, Ronaldo quase fez o ‘hat-trick’ em nova cobrança de falta com muito perigo.

Destaque para as presenças de Beckham e Flamini, companheiros de Milan, nas arquibancadas do Emirates Stadium. A imagem do inglês — ex-Manchester — consolando o italiano — ex-Arsenal — foi um típico exemplo de zoação sadia entre torcedores.

Os atuais campeões esperam agora o resultado do jogo de quarta-feira entre Chelsea e Barcelona, em Stamford Bridge, para saber quem será seu adversário no Estádio Olímpico de Roma.

Escalações:
Arsenal:
1 Almunia; 3 Sagna, 5 Touré, 20 Djourou e 40 Gibbs (27 Eboué / int.); 17 Song, 4 Fabregas e 8 Nasri; 14 Walcott (26 Bendtner / 18′ do 2º) e 11 Van Persie (12 Vela / 34′ do 2º); 25 Adebayor.
Manchester United: 1 Van der Sar; 22 O’Shea, 5 Ferdinand, 15 Vidic e 3 Evra (21 Rafael / 20′ do 2º); 24 Fletcher (expulso / 29′ do 2º), 16 Carrick e 8 Anderson (11 Giggs / 18 ‘ do 2º); 13 Park e 10 Rooney (9 Berbatov / 21’ do 2º); 7 Ronaldo.


Ciclistas azuis?

05/05/2009

Novo uniforme do Chelsea inova e ganha zíper na gola.

O Chelsea anunciou no último fim de semana a camisa que usará na temporada 2009/10. O uniforme desenvolvido pela Adidas — fornecedora de material esportivo do clube londrino — apresenta como principal novidade um pequeno zíper na altura da gola, conferindo à camisa uma curiosa similaridade ao equipamento usado por ciclistas profissionais. Veja:

Além do zíper, leves linhas delineando os músculos também são diferenciais da nova camisa.

Além do zíper, leves linhas delineando os músculos também são diferenciais da nova camisa.

O novo “manto sagrado” dos Blues já está em pré-venda por £ 40 — cerca de R$ 130 — somente no site oficial do clube. O envio terá início em 14 de maio.

O modelo do uniforme secundário para a próxima temporada ainda não foi revelado.

O Chelsea enfrenta quarta-feira o Barcelona por uma vaga na final da Champions League 08/09 ainda com a camisa da atual temporada. Se chegar à decisão, é possível que estreie o novo uniforme em Roma, contra o vencedor de Arsenal e Manchester United.


Quarta agitada

30/04/2009

Dia 29 de abril marcou diversos fatos relevantes no mundo da bola. A seguir, alguns deles em forma de drops:

Batalha em Santiago: O Palmeiras venceu o Colo-Colo por 1 a 0 no Estádio Monumental com um jogador a menos e com gol aos 42 minutos do segundo tempo. Tá bom ou quer mais? A partida foi uma verdadeira epopeia verde, já que o Verdão precisava da vitória para se classificar e garantir os cinco representantes brasileiros nas oitavas-de-final da competição continental. Luxemburgo promoveu duas surpreendentes modificações no time titular ao colocar Wendel na lateral-direita e o jovem Souza ao lado de Pierre na proteção à zaga. Elas surtiram efeito e o primeiro tempo foi bem administrado pela equipe paulistana, que assustou os chilenos com dois chutes de Keirrison na trave e foi beneficiada pela lesão de Macnelly Torres logo aos 15 minutos. No intervalo, Luxa substituiu — precipitadamente — Wendel por Willians. O camisa 8 — há mais de um mês fora de combate devido a uma contusão — sentiu a falta de ritmo de jogo e foi praticamente nulo em campo. Aos 18, Marcão foi expulso e o jogo abriu de vez. Muitas chances para os dois lados, até que Cleiton Xavier arriscou da intermediária e acertou o ângulo do goleiro Muñoz com um pombo sem asa indefensável. Golaço e classificação heroica. Agora é esperar pelo adversário nas oitavas-de-final.

Que fase! Até quando perde, o Corinthians festeja. Mesmo tendo a invencibilidade de 25 jogos quebrada pelo Atlético-PR ao ser derrotado por 3 a 2 na Arena da Baixada, pela primeira perna das oitavas-de-final da Copa do Brasil, o alvinegro tem muitos motivos para comemorar devido às circunstâncias da partida. Depois de tomar um vareio do Furacão no primeiro tempo e levar o terceiro gol no comecinho da segunda etapa, o Corinthians reagiu e marcou dois importantíssimos gols com Cristian, aos 41, e Dentinho, aos 47. Os paulistas ainda desperdiçaram pênalti — muito mal marcado pelo pernambucano Nielson Dias — com Chicão. Os atuais campeões da Série B se classificam com vitória simples no jogo da semana que vem, no Pacaembu. A má notícia fica por conta da pancada sofrida nos arcos costais de Ronaldo — a possibilidade de fratura na costela já foi descartada pelos médicos corintianos –, que corre o risco de não jogar domingo contra o Santos pela decisão do Campeonato Paulista.

Irresistível Colorado: O Internacional venceu e convenceu mais uma vez na noite desta quarta. A vítima da vez foi o Náutico, que sucumbiu por 3 a 0 em pleno Estádio dos Aflitos, também pelas oitavas da Copa do Brasil. Nilmar, Taison e Marcelo Cordeiro marcaram os gols vermelhos. Surpreende a intensidade e a capacidade técnica e tática do time comandado por Tite, principalmente nos últimos jogos. Está certo que os adversários — Caxias (8 x 1), Guarani (5 x 0) e agora Náutico — não servem como um parâmetro totalmente confiável, mas a qualidade do futebol do Inter é tão alta que o rótulo de favorito à conquista do Brasileirão 2009 é mais que merecido. Pena é a notícia de que Nilmar provavelmente deixará o Beira-Rio na janela de transferências do meio do ano. Uma oferta de US$ 20 milhões por parte do italiano Palermo já teria inclusive sido aceita pelos dirigentes colorados.

Insatisfeito: “É quase seguro que eu vá embora”, frase de Carlitos Tevez em entrevista concedida ao repórter João Castelo Branco, da Espn Brasil, na zona mista após o jogo em que o Manchester United venceu o Arsenal por 1 a 0 pelas semifinais da Champions League 08/09. Buscando a titularidade absoluta — algo muito raro em se tratando de futebol europeu –, o argentino não está contente com sua situação no United, tendo que participar do rodízio promovido por Sir Alex Ferguson. Disposto a deixar o Old Trafford ao final da temporada, Tevez diz ter propostas de vários clubes europeus. As especulações dão conta de que o Real Madrid é o principal interessado.


Mereciam mais

30/04/2009

cl32Os espectadores da partida e o Manchester United, que, mesmo jogando abaixo do que pode, dominou o jogo inteiro e fez apenas 1 a 0 contra um apático Arsenal.

Manchester United 1 x 0 Arsenal

Dois fatos claros marcaram a partida de ida das semifinais da Champions League 08/09 entre Manchester United e Arsenal no Old Trafford: o jogo não foi bom e os Red Devils perderam a chance de talvez liquidar o confronto.

Quem esperava algo parecido com os recentes jogaços entre ingleses — vide os dois 4 a 4 em que o Liverpool foi protagonista ao lado de primeiro Chelsea, depois Arsenal e a explosiva virada do Manchester para cima do Tottenham (5 x 2) no último sábado — teve de se contentar com um jogo bem morno.

Não acostumado a marcar, O'Shea comemora do jeito mais comum: festejando com a torcida e os companheiros

Não acostumado a marcar, O'Shea comemora do jeito mais comum: festejando com a torcida e os companheiros

Armando seu time em um 4-3-2-1 ofensivo, Sir Alex Ferguson optou por jogadores jovens em quase todas as posições, talvez para igualar o vigor físico dos “estudantes” do professor Arsène Wenger. O francês, tendo de lidar com os sempre frequentes desfalques do Arsenal — Gallas, Van Persie, Clichy (machucados) e Arshavin (impossibilitado de jogar, pois já atuou pelo Zenit no atual campeonato) são apenas alguns deles — , escalou sua equipe em um 4-2-3-1 aparentemente voltado ao ataque, mas que, na prática, teve os ofensivos Nasri, Fabregas e Walcott atuando muito recuados e deixando o apagado Adebayor totalmente isolado no comando de ataque.

A dificuldade de armação do Manchester e a completa falta de ímpeto dos Gunners geraram um jogo não completamente entediante, mas muito abaixo da expectativa.

O primeiro tempo foi um passeio — mesmo que curto — do United. A primeira chance real de gol aconteceu aos 17 minutos, quando Ronaldo, Tevez e O’Shea armaram bela triangulação que acabou em uma grande defesa de Almunia depois de chute à queima roupa do argentino. O lance gerou um escanteio cobrado por Anderson. A bola passou por toda a extensão da área até cair nos pés de Carrick. O camisa 16 cruzou rasteiro, a bola desviou em Silvestre e sobrou limpa para O’Shea encher o pé direito e abrir o placar.

O Manchester continuou pressionando e teve outra bela oportunidade aos 29, quando Tevez costurou a defesa pela direita e cruzou para Ronaldo. O português cabeceou consciente e Almunia praticou outro milagre. Enquanto isso, o Arsenal chutou ao gol de Van der Sar apenas uma bola durante toda a primeira etapa– em finalização, sem perigo algum, de Fabregas, aos 27.

O começo do segundo tempo marcou o pior período do jogo. A coisa começou a mudar só aos 22 minutos, quando Giggs e Berbatov substituíram Anderson e Tevez. A qualidade de passe no meio-campo aumentou substancialmente e o ataque ganhou vida nova com Rooney trocando de posição com Ronaldo e indo atuar pela direita para municiar o camisa 9 recém-ingressado.

Dois minutos depois das mudanças promovidas por Ferguson, mais um susto para Almunia. Cristiano Ronaldo, da intermediária, lança um foguete e a bola explode no travessão, arrancando o grito de “Uuuuhhh!” — que em inglês é “Oooohhh!” — das arquibancadas do Old Trafford.

Aos 33, lance polêmico. Giggs recebe lançamento da direita, invade a área, dribla Almunia e rola para a rede. O assistente indica posição irregular do galês e anula o gol. A dúvida é em relação ao posicionamento de Silvestre, que saía para fazer a linha de impedimento no momento do passe. Na minha opinião — deixando claro que só vi o lance uma vez –, o camisa 11 estava impedido por pouquíssimos centímetros.

Aos 40, a terceira finalização do Arsenal durante a partida inteira e a chance de gol mais clara para o time londrino. Cobrança de falta executada por Fabregas. Bendtner sobe no meio de um bolo de jogadores e desvia de cabeça por cima do gol.

E ficou nisso.

Espera-se muito mais do jogo e principalmente do Arsenal na partida de volta, dia 5 de maio, no Emirates Stadium.

Escalações:
Manchester United:
1 Van der Sar; 22 O’Shea, 5 Ferdinand (23 Evans / 42′ do 2º), 15 Vidic e 3 Evra; 24 Fletcher, 16 Carrick e 8 Anderson (11 Giggs / 22′ do 2º); 7 Ronaldo e 10 Rooney; 32 Tevez (9 Berbatov / 22′ do 2º).
Arsenal: 1 Almunia; 3 Sagna, 5 Touré, 18 Silvestre e 40 Gibbs; 17 Song e 2 Diaby; 14 Walcott (26 Bendtner / 25′ do 2º), 4 Fabregas e 8 Nasri; 25 Adebayor (9 Eduardo / 37′ do 2º).


Zero a zero azul

29/04/2009

cl31Chelsea segura a intensa pressão do Barcelona e sai do Camp Nou com objetivo cumprido.

Barcelona 0 x 0 Chelsea

Conhece aquele ditado popular que diz que “água mole em pedra dura tanto bate até que fura”? Pois é. Nesta terça, em Barcelona, a água bateu — e muito — mas não furou.

Se supusermos — com grande chance de acerto — que o Chelsea visitou o Camp Nou no primeiro jogo válido pelas semifinais da Champions League 08/09 com um objetivo muito claro em mente — não tomar gols –, este foi cumprido com excelência.

Drogba rouba a bola de Márquez e cria única chance real do Chelsea durante todo o jogo

Drogba rouba a bola de Márquez e cria única chance real do Chelsea durante todo o jogo

De fundamental importância para tal êxito foi a troca de africanos promovida por Guus Hiddink na escalação que vinha sendo utilizada pelos Blues nos últimos jogos. A saída do atacante Kalou e a entrada do volante Mikel substituiu o habitual 4-3-2-1 por um 4-1-4-1 compacto e muito bem armado. O Chelsea povoou o meio-campo, não avançou seus laterais em nenhum momento e teve seus principais homens de criação — Ballack e Lampard — transformados em marcadores implacáveis. Para se ter uma ideia do ferrolho azul (que, desta vez, vestiu amarelo), até Drogba marcava atrás do círculo central.

Enquanto isso, o Barça — armado em seu habitual 4-1-2-3 — trocava incontáveis passes e, quando achava raras brechas, era barrado pelo soberbo Petr Cech.

No caso específico deste jogo, as estatísticas servem como exemplificação fiel do que se viu em campo:

Posse de bola – Barcelona 66 % 34 Chelsea
Faltas cometidas – Barcelona 7 x 20 Chelsea
Chutes a gol – Barcelona 20 x 3 Chelsea

O primeiro tempo foi marcado por uma série de ataques por parte do Barça bem administrados pelo Chelsea, que, curiosamente, teve a chance mais clara para abrir o placar aos 39 minutos, quando Rafa Márquez errou um domínio e perdeu a bola para Drogba. O marfinense teve duas chances para marcar no lance, ambas salvas por Valdés em sua única aparição de destaque na partida.

A primeira etapa também marcou o nascimento da rixa entre Daniel Alves e Malouda, que dividiram rispidamente uma bola, continuaram se estranhando durante todo o  jogo e provavelmente não se esquecerão de se espizinharem na partida de volta.

Se no primeiro tempo o Barça teve o domínio do jogo, no segundo ele foi o soberano completo. Excetuando-se uma cabeçada de Ballack que passou por cima do gol depois de falta cobrada por Drogba logo aos três minutos, o Chelsea não chegou nem perto de assustar a meta de Valdés na etapa final de jogo.

Os constantes ataques dos catalães continuaram, desta vez mais perigosos. Destaque para a vibrante arrancada de Eto’o aos 24 — depois de dar um “rolinho” em Terry, o camaronês invadiu a área, cortou Alex, mas parou em Cech — e para a cabeçada torta de Bojan Krkic — substituto de Eto’o –, que perdeu gol feito da pequena área após cruzamento milimétrico de Daniel Alves, aos 45.

Não teve jeito mesmo. Cech fechou o gol, a retranca inglesa funcionou e o Barça terá de marcar na volta, em Stamford Bridge. Partida que — com certeza — será diferente, uma vez que o Chelsea será outro time e terá outra postura diante de sua torcida.

Se não bastasse o empate indigesto em casa, o técnico azul-grená Josep Guardiola terá que quebrar a cabeça para escalar a defesa semana que vem. Márquez sofreu uma ruptura no menisco externo do joelho esquerdo e está fora da temporada, enquanto Puyol — que entrou em seu lugar — foi advertido com o terceiro cartão amarelo e está suspenso para o duelo em Londres. Piqué e Cáceres deverão ser os únicos zagueiros disponíveis, já que Milito está machucado desde o meio do ano passado.

Enquanto isso, Hiddink terá de volta Ashley Cole, que, voltando de suspensão, deverá ocupar sua cadeira cativa na lateral-esquerda no lugar do improvisado Bosingwa — marcador surpreendentemente eficiente de Messi no Camp Nou.

Antes de se enfrentarem no próximo dia 6 de maio, o Barcelona encara o rival Real Madrid em briga direta pelo título espanhol e o Chelsea pega o Fulham em casa. Ambos os jogos serão no sábado.

Escalações:
Barcelona:
1 Valdés; 20 Daniel Alves, 4 Márquez (5 Puyol / 5′ do 2º), 3 Piqué e 22 Abidal; 24 Touré; 6 Xavi e 8 Iniesta; 10 Messi, 9 Eto’o (11 Bojan / 37′ do 2º) e 14 Henry (21 Hleb / 41′ do 2º).
Chelsea: 1 Cech; 2 Ivanovic, 33 Alex, 26 Terry e 17 Bosingwa; 12 Mikel; 5 Essien, 13 Ballack (39 Anelka / 50′ do 2º), 8 Lampard (35 Belletti / 25′ do 2º) e 15 Malouda; 11 Drogba.


Faturas Liquidadas?

09/04/2009

cl2Chelsea e Barcelona praticamente garantem vaga nas semifinais com ótimos resultados nos primeiros jogos das quartas-de-final.

Liverpool 1 x 3 Chelsea
O herói improvável e a anulação de Gerrard

O jogo em Anfield Road começou eletrizante. O Liverpool, dono da casa, se impôs e abriu o placar logo aos seis minutos. Kuyt foi esperto e tocou rápido uma bola espirrada na entrada da área para o lateral Arbeloa. Aberto pela direita, o espanhol rolou de primeira para seu compatriota que não costuma falhar. Fernando Torres não falhou, meteu no canto esquerdo de Cech e correu para o abraço: 1 a 0. A impressão era de que os Reds dominariam a partida.

Todos abraçam o homem da vez: Ivanovic

Todos abraçam o homem da vez: Ivanovic

Impressão que só durou até os 15 minutos. O Chelsea não se assustou – longe disso – e teve calma para equilibrar o jogo. Drogba perdeu chance claríssima após falha de Fábio Aurélio e passe de Kalou que o deixou frente a frente com Reina, poucos minutos depois da abertura do placar.

Aos 26, Torres aproveitou cochilada de Lampard, roubou a bola do inglês no meio-campo e quase surpreendeu Cech em belo chute por cobertura. Três minutos depois, nova grande oportunidade para Drogba. Ballack cruzou rasteiro da esquerda e o camisa 11 isolou da altura da marca do pênalti depois de tropeçar no gramado.

Quando a partida finalmente entrou em um ritmo mais lento, a história de Cinderela do defensor sérvio Ivanovic começou a ser escrita. Desconhecido para muitos, o camisa 2 do Chelsea foi contratado em janeiro de 2008 junto ao Lokomotiv de Moscou, mas só estreou na atual temporada, contabilizando apenas 11 jogos pelo time londrino. E foi justamente em uma partida decisiva que ele resolveu aparecer. Aos 39, Malouda cobrou escanteio da direita e o zagueiro – improvisado na lateral-direita devido à contusão de Bosingwa – testou firme para o fundo do gol: 1 a 1.

Um minuto depois, Kuyt teve a chance de desempatar, mas desperdiçou boa chance depois de dar uma meia-lua em Terry e ser abafado por Cech. E que falta fez essa oportunidade perdida.

O segundo tempo apresentou outro jogo em que o equilíbrio foi substituído por um completo domínio do Chelsea. O 4-3-2-1 dos Blues encaixou-se perfeitamente no 4-2-3-1 dos Reds, com destaque para a marcação ferrenha e precisa de Essien em Gerrard. Com seu capitão e principal jogador anulado, o Liverpool sofreu com a troca de passes do rival e passou a ser pressionado em seu próprio território.

Com o Chelsea já se sentindo em casa, Carragher salvou em cima da linha chute de Drogba, aos seis minutos. Mas, aos 17 minutos, o antes plebeu virou definitivamente nobre. Em nova cobrança de tiro de canto, desta vez lançado da esquerda por Lampard, Ivanovic subiu entre três marcadores e cabeceou para marcar o segundo e virar para os Blues.

A festa azul no Anfield foi completada aos 22. Ballack achou Malouda nas costas de Arbeloa. O camisa 15 cruzou rasteiro e, em sua quarta oportunidade clara, Drogba finalmente fez ao antecipar Reina e escorar para as redes.

A partir daí, o desespero bateu na torcida e no time do Liverpool. Rafa Benítez tentou algumas substituições para deixar seu time mais ofensivo, mas já era tarde. Benayoun, Dossena e Babel não fizeram diferença e o controle da partida era todo do Chelsea, que administrou bem a blitz vermelha nos minutos finais e saiu de campo com um magnífico resultado nos bolsos. Nem um 2 a 0 salva o Liverpool no jogo de volta, em Stamford Bridge, na próxima terça, dia 14. Os Reds devem obter três gols gols de diferença, ou dois, se marcarem 4 ou mais. 3 a 1 leva para a prorrogação.

Escalações:
Liverpool:
25 Reina; 17 Arbeloa, 37 Skrtel, 23 Carragher e 12 Fábio Aurélio (2 Dossena / 30′ do 2º); 14 Xabi Alonso e 21 Lucas (19 Babel / 34′ do 2º); 18 Kuyt, 8 Gerrard e 11 Riera (15 Benayoun / 23′ do 2º); 9 Fernando Torres.
Chelsea: 1 Cech; 2 Ivanovic, 33 Alex, 26 Terry e 3 Ashley Cole; 8 Lampard, 5 Essien e 13 Ballack; 21 Kalou e 15 Malouda; 11 Drogba (39 Anelka / 35′ do 2º).

Barcelona 4 x0 Bayern de Munique
Passeio de um ataque encantador

A previsão de jogo aberto se confirmou. Mas só um lado jogou.

O Barça construiu a goleada de 4 a 0 já no primeiro tempo. Contra um assustado e hiper irregular Bayern – que, desta vez, estava com o gráfico bem negativo -, o mágico ataque catalão brilhou mais uma vez. Messi, Henry e Eto’o deram show e numeraram o placar aos nove (Messi), 12 (Eto’o), 38 (Messi) e 43 (Henry).

Apoiadas pelo talento dos também craques Xavi e Iniesta, as atuações recentes do trio de ataque do Barcelona são o que há de mais bonito no futebol atualmente.

No segundo tempo, os catalães tiraram o pé e mesmo assim tiveram muitas oportunidades para ampliar. Pobre Bayern, que, apesar dos importantes desfalques de Lúcio, Van Buyten, Lahm e Klose, jogou abaixo da crítica. O ídolo Beckenbauer comentou o seguinte sobre a apresentação do clube que agora preside: “O que vimos no primeiro tempo foi o pior futebol já apresentado na história do Bayern. Foi quase uma humilhação. O Barça nos deu uma aula de futebol”.

Os bávaros, inclusive, já jogaram a toalha, como atesta declaração do treinador Jürgen Klinsmann ao final do jogo: ” A partida no Camp Nou demonstrou que ainda temos muito trabalho pela frente para estar entre os melhores da Europa. Este foi o fim da nossa trajetória na Champions League e agora precisamos nos concentrar no Alemão”.

O Bayern precisa de verdadeiro milagre na partida de volta, dia 14, no Allianz Arena.

Escalações:
Barcelona:
1 Valdés; 20 Daniel Alves, 4 Márquez, 3 Piqué e 5 Puyol; 6 Xavi, 24 Touré (28 Busquets / 36 do 2º)  e 8 Iniesta; 10 Messi, 9 Eto’o (11 Bojan / 44 do 2º) e 14 Henry (15 Keita / 29 do 2º).
Bayern de Munique: 22 Butt; 23 Oddo, 6 Demichelis, 33 Breno e 30 Lell; 8 Altintop (16 Ottl / intervalo), 31 Schweinsteiger, 17 Van Bommel, 15 Zé Roberto (20 Sosa / 32 do 2º) e 7 Ribéry; 9 Toni.