Intenso

12/03/2009

Com até Mourinho reconhecendo a qualidade do Manchester United, Red Devils podem ser considerados legítimos favoritos a tudo.

Quantas mais nesta temporada?
Quantas mais nesta temporada?

O muitas vezes soberbo e irredutível – mas sempre competente – José Mourinho se rendeu. Depois de sua Internazionale ser derrotada no Old Trafford por 2 a 0 pelas oitavas-de-final da Champions League, o técnico português declarou: “O Manchester United está em uma fase perfeita. O time atingiu o nível máximo em termos de experiência e qualidade. O jogo deles foi muito intenso e, por isso, mereceram vencer. Penso que eles realmente podem ganhar todos os títulos que disputam na temporada”. 

Elogios nem um pouco exagerados. O United realmente se encontra em outro nível como time de futebol. 

Baseado em um elenco de enorme qualidade, no entrosamento de longa data da maioria dos jogadores e na longevidade de seu treinador no comando da equipe, o Manchester United não se atém a jogadas específicas ou a talentos individuais. O time se alimenta da intensidade de seu jogo – como bem apontado por Mourinho -, o que proporciona variações diversas tanto no esquema tático quanto nos tipos de jogadas. O United joga tanto com dois atacantes enfiados como com dois ponteiros abertos e marca gols pelo chão, pelo alto e em lances de bola parada.

Devido à tamanha independência do padrão tático de sua equipe, Ferguson se dá ao luxo de promover jovens talentos como os laterais gêmeos Rafael e Fábio, os volantes Gibson e Possebon e o atacante Welbeck, além de trocar peças sem fazer com que o time sofra grandes danos. O maior exemplo disso foi quando o “sem reserva” Evra, machucado, foi bem substituído pelo coringa O’Shea na lateral-esquerda. Com as escassas exceções de Van der Sar, Ferdinand e Cristiano Ronaldo – que, mesmo assim, contam com reservas de qualidade – nas outras posições tanto faz quem jogue. Independentemente de Vidic ou Evans na quarta zaga; Carrick, Scholes, Fletcher ou Anderson no miolo do meio-campo; Rooney, Berbatov ou Tevez no ataque, o Manchester joga do mesmo jeito: intensamente.

O curioso é que seu extremo oposto, o Barcelona – equipe que vive essencialmente do talento de seus jogadores de frente -, seja exatamente sua maior ameaça na luta pela conquista do bicampeonato europeu.

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