Inconstância

30/03/2009

338px-cbf_logosvg2Atuação da Seleção Brasileira contra o Equador foi péssima. Contraste absoluto em relação aos jogos contra Portugal e Itália. Afinal, por que o Brasil de Dunga oscila tanto? 

Porque faltam variações à Seleção Brasileira.

Dunga não abre mão do seu 4-2-3-1. Assim sendo, ou o esquema encaixa no adversário, ou não. Simples assim.

Contra Portugal os esquemas se espelharam e a maior qualidade técnica do Brasil prevaleceu: 6 a 2.

Contra a Itália e seu 4-3-1-2, os volantes brasileiros tiveram vida fácil – só se preocuparam com Montolivo, consagrando o obscuro Felipe Melo – e os três meias canarinhos (Elano, Ronaldinho e Robinho) bateram contra os três vulneráveis volantes italianos (De Rossi, Pirlo e Pepe). A bola não chegava ao ataque da Azzura e Robinho fez a festa: 2 a 0.

Só que contra o Equador foi diferente. O Brasil, que comentou durante todo o período de treinos na Granja Comary sobre a importância da posse de bola, encontrou um Equador com apenas um volante de contenção, dois meias, dois ponteiros e um centroavante. O 4-1-4-1 equatoriano encaixou-se perfeitamente no esquema brasileiro e permitiu o massacre visto hoje por parte dos donos da casa. Gilberto Silva e Felipe Melo ficaram perdidos e a marcação sobre os talentosos Méndez e Valencia foi fraca. Daniel Alves (praticamente titular: entrou antes dos 15 minutos no lugar do machucado Maicon) e Marcelo sofreram com Benítez e Guerrón, principalmente o camisa 6, que levou um baile do 7 equatoriano.

O Brasil era encurralado: Elano não produzia ofensivamente, a bola não chegava a Robinho e Luís Fabiano e a Seleção era incapaz de produzir contra-ataques. Se não fosse por Júlio César – disparado o melhor em campo – o Brasil poderia ter sofrido derrota histórica. O empate em 1 a 1 foi um grande lucro.

Claro que outros fatores também contribuíram para a pífia atuação brasileira. A dupla de zaga formada por Lúcio e Luisão – jogadores de características semelhantes – bateu cabeça por diversas vezes e Ronaldinho nos brindou com mais uma exibição (no mínimo) preguiçosa. É incrível como esse ex-jogador em atividade de apenas 29 anos continua com tanto prestígio. Qualquer um seria mais efetivo que ele hoje, vide a entrada do esforçado (não muito mais do que isso) Júlio Baptista. Em pouco mais de 20 minutos em campo fez muito mais que Ronaldinho: puxou um contra-ataque – responsabilidade do camisa 10, que teve 70 minutos em campo – e foi coroado com um gol. Que falta faz Kaká!

A de se levar em conta também a altitude, que, queira ou não, faz diferença.

O Brasil ocupa a quarta colocação das Eliminatórias Sul-Americanas com 18 pontos ganhos.

Agora é esperar pelo jogo de quarta. Será que se o frágil Peru dificultar em Porto Alegre, Dunga irá, finalmente, variar?

Visionário Maradona?

A Argentina, que venceu fácil a Venezuela em Buenos Aires no último sábado, apresentou um esquema tático, no mínimo, raro.

A alviceleste jogou em um exótico 3-2-2-3, com um lateral (Zanetti) e dois zagueiros (Angeleri e Heinze) formando o trio defensivo, dois volantes (Mascherano e Gago), dois meias bem abertos (Maxi Rodriguez pela direita e Gutierrez pela esquerda) e três atacantes (Tevez, Messi e Agüero).

No papel, o desenho era mais ou menos esse. Só que ninguém guardava posição fixa. Resultado: um 4 a 0 tranquilo e um futebol de encher os olhos, principalmente da trinca ofensiva comandada por Messi, cada vez mais ‘melhor do mundo’.

Seria Maradona um novo Rinus Michels?

Celeste forte e El Loco competente

A de se ressaltar a importantíssima e convincente vitória do Uruguai sobre o líder Paraguai: 2 a 0. Luis Suárez deu nova vida ao ataque formando dupla com Forlán e a defesa, liderada pelo capitão Lugano, voltou a mostrar firmeza com a entrada de Cáceres.

O Chile de Marcelo Bielsa, quando não enlouquece e pensa que é a Argentina – como contra o Brasil em Santiago -, apresenta um futebol muito interessante e cheio de variações de jogadas. Destaque para os autores dos gols da vitória sobre o Peru, em Lima, por 3 a 1: Alexis Sánchez, Humberto Suazo e Matías Fernandez.

Chile (terceiro, com 19 pontos) e Uruguai (quinto, com 16) se enfrentam quarta-feira, na capital chilena, em jogo que promete.