Não tem jeito

23/01/2009

corinthians5022

Corinthians 2 x 2 Barueri foi mais uma prova inquestionável de que camisa ainda vale muito no futebol

Depois de Kaká recusar a fortuna do City, do Barça virar incrivelmente contra o Osasuna há algumas semanas e do Chelsea perder a final da Champions 07-08 para o United quando tinha o jogo nas mãos – e esses são apenas os exemplos que me vêm à cabeça agora – o jogo de hoje no Pacaembu mostrou novamente o valor incalculável da tradição.

Ao contrário de sábado contra o Estudiantes, Douglas não apareceu hoje no Pacaembu

Ao contrário de sábado contra o Estudiantes, Douglas não apareceu hoje no Pacaembu

O Barueri exibia um futebol, sob o ponto de vista tático, digno de prêmio a seus três treinadores e anulava o Corinthians de todas as formas. Jogadas pelas laterais eram sistematicamente rejeitadas, Elias era bem marcado e Douglas desapareceu, o que fez com que Souza e Jorge Henrique praticamente não participassem do jogo, a não ser quando voltavam para ajudar a defesa. Os contra-ataques da equipe do interior eram sempre perigosos, sendo que um deles deu origem à abertura do placar por parte do bom centroavante Pedrão – ligeiramente impedido no lance.
O segundo tempo, apesar da tentativa de Mano Menezes de abrir o time com a entrada de Eduardo Ramos no lugar do afobado Túlio, começou da mesma forma que o primeiro até Chicão subir de maneira atabalhoada, derrubar Leanderson na área, ver Pedrão marcar seu segundo gol cobrando pênalti e fazer o desespero de sua equipe aumentar.

Wellington Saci, substituto do vaiado Douglas e jogando fora de posição – meia-direita (?!) -, não surtiu muito efeito. O Barueri passou a ter maior posse da bola e começou a “cozinhar” o jogo. Até que entrou em cena a infalível tradição.

Escanteio muito mal cobrado por Saci, Elias pega a sobra e joga de qualquer jeito para dentro da área. William vai de cabeça, fura e cai ao lado do pé esticado de um jogador do Barueri. Pênalti – muito duvidoso – marcado e o Corinthians diminui aos 38 com Chicão.

É Gol! Foi, foi, foi, foi ela! A Camisa!

É Gol! Foi, foi, foi, foi ela! A Camisa!

Pronto. Era o que bastava para o poder da camisa surtir efeito. A torcida se inflama e o Barueri, assustado, se desorganiza, transformando o até então eficientíssimo 4-3-2-1 em um ferrolho medroso. Mano percebe, saca Elias e coloca Otacílio Neto para jogar pelas pontas. O atacante vai à linha de fundo, se livra de um adversário e cruza para Jorge Henrique empatar aos 43.

E o estrago que a tradição pode causar só não foi completamente consumado porque Renê fez milagre em cabeçada de Souza aos 47.

A impressão que fica depois de um jogo desses é de que ainda vai demorar muito para os petrodólares conseguirem se equiparar ao valor de uma camisa.

Ainda bem.